III INTERVENÇÃO
Começamos mais uma
intervenção como de costume: planejando. Neste
momento do planejamento decidimos dentre três temas, e acabamos por escolher
trabalhar com a história da cidade, tendo em vista que na semana seguinte á
intervenção era o aniversário da cidade. Faz-se necessário dizer da importância
do planejamento, isto porque o sucesso e a qualidade de nossas ações dependem
de um planejamento prévio. Um planejamento é de extrema importância para a
organização do trabalho dos professores e a sua segurança na ministração das
aulas. De acordo com Luckesi (1992) o planejamento é um conjunto de ações que
são preparadas, projetando um determinado objetivo. Em outras palavras, é um
conjunto de ações coordenadas, visando atingir os resultados previstos de forma
mais eficiente e econômica. É um instrumento de auxílio para o professor que
objetiva uma melhor dinâmica de aula para a turma e para que o docente não
fique perdido.
Assim, após o termino do
planejamento, chegou a hora de “pôr as mãos na massa”. E confesso que me senti
muito feliz ao final de mais uma intervenção porque tenho notado a cada dia
mais o avanço dos alfabetizandos. Percebo que a educação transforma sim! E que
crianças que antes não reconheciam palavras hoje formam frases, alunos que
antes mal liam, hoje já lêem com mais clareza e segurança, eles até competem e pedem
para ler. Ou quando está na hora da analise linguística, eles disputam para
virem ao quadro e formar novas palavras.
A respeito dos dilemas encontrados, tive um pouco de
dificuldades pois nesta intervenção os alunos estavam muito agitados e isto
implica no andamento da aula e entra na questão da gestão da classe. Segundo Gauthier (1998) “a gestão de classe
consiste num conjunto de regras e disposições necessárias para criar e manter
um ambiente ordenado favorável tanto ao ensino quanto à aprendizagem.” É
importante deixar as regras bem claras para a turma, isso serve também para
continuar mantendo a ordem e não perder o controle na frente deles. Ainda com
base em Gauthier (1998) “[...] a organização e a manutenção da ordem no intuito
de facilitar as aprendizagens”. E nesse sentido a pró Josiene tem nos
ajudado bastante, nos auxiliando a deixar claro as regras para os educandos.
Outro ponto que não posso
deixar de falar aqui é a respeito do método sociolinguístico que na minha prática
tem se mostrado muito eficaz, mostrando a diferença que ele faz. Digo isto
porque tenho notado que os alunos têm problematizado os assuntos que levamos e
muitas vezes me surpreendo com algumas questões levantadas por eles. E nesta
perspectiva, saliento a importância de o professor planejar e ter conhecimento
do que ele vai falar, pois se o docente não se prepara, não pesquisa, ele pode
se deparar com questões as quais não saberá responder se não estiver preparado.
Finalizo este relato,
ressaltando que refletir a prática é o caminho para se superar ações mecânicas
em sala de aula, sobre isso Pimenta e Lima
(2004) defendem que a formação do docente deve estar enraizada na construção do
conhecimento, valorizando essa construção por meio da reflexão, análise e
problematização de cada momento vivenciado durante a formação e no atuar da
profissão. No final de cada intervenção realizada, ao sentarmos para escrever,
nos damos conta de que
estamos construindo, desconstruindo e construindo de novo vários pré-conceitos,
elaborando vários aprendizados e, consequentemente refletindo a nossa prática. Neste
sentido, termino esta reflexão citando Nóvoa (1992) quando ele afirma que “a
formação não se constrói por acumulação (de cursos, de conhecimento ou
técnicas), mas sim através de um trabalho de reflexividade crítica sobre as
práticas de (re) construção permanente de uma identidade pessoal.”


