terça-feira, 15 de março de 2016



Um caminho a seguir

Quando entrei no PIBID (Programa Institucional de bolsas de Iniciação à docência) estava trilhando um caminho o qual não sabia se era de fato o que iria seguir, para mim ainda era escuro.  E o que tentei representar em minha tela de costura foi justamente isso, a minha trajetória pré e pós PIBID.
A partir do momento que passei a ser bolsista do PIBID as coisas começaram a clarear e após adentrar em sala de aula comecei a me encantar com a docência e percebi e passei a querer prosseguir neste caminho.
No “chão da escola” notei o quão complexo é o espaço escolar, mas nada disso me deixou desanimar, pois a cada dilema vivenciado e superado, percebia também que há muitas flores no meu caminhar enquanto docente. Cada conflito superado desde quando entrei no PIBID me mostra o quanto eu cresci e o quanto tenho superado meus limites, adquiri saberes os quais tenho certeza que durante toda a minha graduação eu não teria adquirido. O caminho da docência é longo, onde os conhecimentos não são finitos, é onde todos os dias eu construo e desconstruo saberes.
A minha trajetória no PIBID é marcada por várias experiências das quais levarei comigo durante toda a minha carreira e vida. O momento mais marcante pra mim foi quando fui para a primeira intervenção, lembro-me de me senti muito nervosa, insegura, com aquele famoso “frio na barriga” e até ansiosa, pois sabia que seria um marco, por que decidiria o meu futuro enquanto estudante de Pedagogia. Mas ao contrário do que eu pensava o contato com a sala de aula despertou em mim um encantamento pela Pedagogia e, sobretudo, passei a querer a pedagogia como parte da minha vida.
Outro momento muito importante para mim são as reuniões realizadas para a socialização das nossas experiências nas intervenções, pois é o momento em que compartilhamos com nossos colegas, as nossas emoções e dilemas, vivenciados em sala de aula. Desta forma, podemos aprender com o outro. É o momento também em que as professoras supervisoras partilham conosco os seus saberes e as suas experiências.
Não posso deixar de falar aqui do momento do planejamento, a esse respeito Luckesi nos diz que “o ato de planejar é um ato decisório, político, científico e tecnológico. (...) toda e qualquer ação depende de uma decisão filosófico-política. Essa decisão dá a direção para onde vai se conduzir a ação. (1994, p.29).” Ou seja, os planos dão um norte para o professor para que ele não se perca durante as aulas, porém, é importante destacar que o planejamento não pode ser reduzido a algo estático e que o docente deve está ciente de que por ser um ambiente complexo, há na sala de aula a existência de possíveis imprevistos e o professor tem que ter um “plano B” e agir de forma rápida para não atrapalhar o andamento da aula. Ainda sobre planejar e segundo Vasconcellos (2000), o planejamento deve ser compreendido como um instrumento capaz de intervir em uma situação real para transformá-la. Como vemos fica reservado ao planejamento a função de direcionar o trabalho de forma que esta aconteça de forma consciente e capaz de organizar e proporcionar mudanças. Assim, posso dizer que estes momentos tem me proporcionado grande aprendizado de como planejar e tem contribuído muito na minha formação, pois as disciplinas que teriam esse papel durante o meu curso deixaram muito a desejar.
É preciso aqui falar também das discussões teóricas, pois os vários autores estudados nos permitiram refletir sobre a prática pedagógica, os saberes necessários à prática educativa, a formação do professor e a importância da pesquisa no exercício docente. Nesse sentido, segundo Pimenta e Lima (2010, p. 49) “O papel da teoria é oferecer aos professores perspectivas de análise para compreender os contextos históricos, sociais, culturais, nos quais se dá sua atividade docente, para neles intervir, transformando-os”.
Neste mesmo sentido, Donald Shon (1992) citado por (Pimenta, Lima; 2004) defendem uma formação docente alicerçada na construção do conhecimento, valorizando assim, essa construção por meio da reflexão, análise e problematização de cada situação específica.  E é justamente o que vem sendo trabalhado no PIBID, e a partir desta citação passo a falar aqui sobre os blog’s, ferramenta utilizada para que possamos escrever todas as nossas experiências, sentimentos, angústias, emoções e conflitos que foram percebidos por nós a cada nova intervenção. Todas as vezes que escrevemos nossas vivências nos blog’s, percebemos a importância de teoria e prática “andarem de mãos dadas” e, sobretudo, passamos a refletir sobre nossa prática pedagógica. Neste contexto, Sacristán aponta que o efeito da reflexividade é a geração da consciência sobre a ação, expressa na forma de representações, lembranças ou esquemas cognitivos e/ou crenças que podem ser comunicados. Por meio da comunicação, é alimentada a memória do material para pensar sobre ações presentes e passadas, bem como para orientar as futuras.  Assim, ao escrevermos nos blog’s passamos a pensar sobre as nossas ações realizadas nas intervenções, esforçando-nos para lembrarmo-nos do que foi realizado, bem como o comportamento dos alunos com relação as atividades propostas e quais foram os seus resultados. Desta maneira e através deste meio de comunicação passamos a pensar sobre as ações para assim perceber o que foi “bom” ou “ruim” e procurar melhorar a nossa prática.
E o meu objetivo a costurar aquela imagem, foi o de representar justamente o meu caminhar antes e durante o PIBID que é só o início da carreira docente e que ainda há muito a ser aprendido. A parte do caminho que está preto é justamente o início, antes do PIBID, e que entrar nele aos poucos as coisas começaram a clarear. Na metade do caminho há alguns bonequinhos que pra mim representam os alunos, a sala de aula, que foi quando me encantei pela docência, me dando inspiração, ânimo e força para seguir nesta carreira. Para a parte final que está no caminho escolhi um tecido estampado com várias flores e linhas; as flores representam as coisas boas, as alegrias que a sala de aula traz, já as linhas representam, os conflitos, as nossas angústias, as quais temos de enfrentar. E por fim, deixei o caminho passando pois o conhecimento não é finito e segundo Freire  "...aprender não é um ato findo. Aprender é um exercício constante de renovação..." e é o que tenho notado na iniciação a docência.