Um
caminho a seguir
Quando entrei no PIBID (Programa Institucional de bolsas
de Iniciação à docência) estava trilhando um caminho o qual não sabia se era de
fato o que iria seguir, para mim ainda era escuro. E o que tentei representar em minha tela de
costura foi justamente isso, a minha trajetória pré e pós PIBID.
A partir do momento que passei a ser bolsista do PIBID as
coisas começaram a clarear e após adentrar em sala de aula comecei a me
encantar com a docência e percebi e passei a querer prosseguir neste caminho.
No “chão da escola” notei o quão complexo é o espaço
escolar, mas nada disso me deixou desanimar, pois a cada dilema vivenciado e
superado, percebia também que há muitas flores no meu caminhar enquanto
docente. Cada conflito superado desde quando entrei no PIBID me mostra o quanto
eu cresci e o quanto tenho superado meus limites, adquiri saberes os quais
tenho certeza que durante toda a minha graduação eu não teria adquirido. O
caminho da docência é longo, onde os conhecimentos não são finitos, é onde
todos os dias eu construo e desconstruo saberes.
A minha trajetória no PIBID é marcada por várias
experiências das quais levarei comigo durante toda a minha carreira e vida. O
momento mais marcante pra mim foi quando fui para a primeira intervenção,
lembro-me de me senti muito nervosa, insegura, com aquele famoso “frio na
barriga” e até ansiosa, pois sabia que seria um marco, por que decidiria o meu
futuro enquanto estudante de Pedagogia. Mas ao contrário do que eu pensava o
contato com a sala de aula despertou em mim um encantamento pela Pedagogia e,
sobretudo, passei a querer a pedagogia como parte da minha vida.
Outro momento muito importante para mim são as reuniões
realizadas para a socialização das nossas experiências nas intervenções, pois é
o momento em que compartilhamos com nossos colegas, as nossas emoções e
dilemas, vivenciados em sala de aula. Desta forma, podemos aprender com o
outro. É o momento também em que as professoras supervisoras partilham conosco
os seus saberes e as suas experiências.
Não posso deixar de falar aqui do
momento do planejamento, a esse respeito Luckesi nos diz que “o ato de planejar é um ato decisório,
político, científico e tecnológico. (...) toda e qualquer ação depende de uma
decisão filosófico-política. Essa decisão dá a direção para onde vai se
conduzir a ação. (1994, p.29).”
Ou seja, os planos dão um norte para o professor para que ele não se perca
durante as aulas, porém, é importante destacar que o planejamento não pode ser
reduzido a algo estático e que o docente deve está ciente de que por ser um
ambiente complexo, há na sala de aula a existência de possíveis imprevistos e o
professor tem que ter um “plano B” e agir de forma rápida para não atrapalhar o
andamento da aula. Ainda sobre planejar e segundo Vasconcellos (2000),
o planejamento deve ser compreendido como um instrumento capaz de intervir em
uma situação real para transformá-la. Como vemos fica reservado ao planejamento
a função de direcionar o trabalho de forma que esta aconteça de forma
consciente e capaz de organizar e proporcionar mudanças. Assim, posso dizer que estes momentos tem
me proporcionado grande aprendizado de como planejar e tem contribuído muito na
minha formação, pois as disciplinas que teriam esse papel durante o meu curso
deixaram muito a desejar.
É preciso aqui falar também das discussões teóricas, pois
os vários autores estudados nos
permitiram refletir sobre a prática pedagógica, os saberes necessários à
prática educativa, a formação do professor e a importância da pesquisa no
exercício docente. Nesse sentido, segundo Pimenta e Lima
(2010, p. 49) “O papel da teoria é oferecer aos professores perspectivas de
análise para compreender os contextos históricos, sociais, culturais, nos quais
se dá sua atividade docente, para neles intervir, transformando-os”.
Neste
mesmo sentido, Donald Shon (1992) citado por (Pimenta, Lima; 2004) defendem uma
formação docente alicerçada na construção do conhecimento, valorizando assim,
essa construção por meio da reflexão, análise e problematização de cada
situação específica. E é justamente o
que vem sendo trabalhado no PIBID, e a partir desta citação passo a falar aqui
sobre os blog’s, ferramenta utilizada para que possamos escrever todas as
nossas experiências, sentimentos, angústias, emoções e conflitos que foram
percebidos por nós a cada nova intervenção. Todas as vezes que escrevemos
nossas vivências nos blog’s, percebemos a importância de teoria e prática
“andarem de mãos dadas” e, sobretudo, passamos a refletir sobre nossa prática
pedagógica. Neste contexto, Sacristán aponta que o efeito da reflexividade é a
geração da consciência sobre a ação, expressa na forma de representações,
lembranças ou esquemas cognitivos e/ou crenças que podem ser comunicados. Por
meio da comunicação, é alimentada a memória do material para pensar sobre ações
presentes e passadas, bem como para orientar as futuras. Assim, ao escrevermos nos blog’s passamos a
pensar sobre as nossas ações realizadas nas intervenções, esforçando-nos para lembrarmo-nos
do que foi realizado, bem como o comportamento dos alunos com relação as
atividades propostas e quais foram os seus resultados. Desta maneira e através
deste meio de comunicação passamos a pensar sobre as ações para assim perceber
o que foi “bom” ou “ruim” e procurar melhorar a nossa prática.
E o
meu objetivo a costurar aquela imagem, foi o de representar justamente o meu
caminhar antes e durante o PIBID que é só o início da carreira docente e que
ainda há muito a ser aprendido. A parte do caminho que está preto é justamente
o início, antes do PIBID, e que entrar nele aos poucos as coisas começaram a
clarear. Na metade do caminho há alguns bonequinhos que pra mim representam os
alunos, a sala de aula, que foi quando me encantei pela docência, me dando
inspiração, ânimo e força para seguir nesta carreira. Para a parte final que está
no caminho escolhi um tecido estampado com várias flores e linhas; as flores
representam as coisas boas, as alegrias que a sala de aula traz, já as linhas
representam, os conflitos, as nossas angústias, as quais temos de enfrentar. E
por fim, deixei o caminho passando pois o conhecimento não é finito e segundo
Freire "...aprender
não é um ato findo. Aprender é um exercício constante de renovação..." e é
o que tenho notado na iniciação a docência.
